Covid 19: como a nova economia está reagindo

Andre Wetter

Andre Wetter

Co-Founder da a55


Se você está lendo este post, sabe que há um ano atrás não poderíamos prever o cenário atual que estamos vivendo. De acordo com Nassim Taleb – um dos maiores pensadores do mercado financeiro dos últimos anos – em sua coletânea o Incerto – um conceito de imprevisibilidade ocorre quando contamos com um acontecimento inesperado e raro, e ele retrata esta teoria no livro A lógica do cisne negro. Foi Taleb também que criou o termo Antifrágil – para o autor o que o dita o nosso futuro é como lidamos e encaramos o risco e se nos tornamos antifrágeis podemos nos beneficiar do caos. Se quiser saber mais sobre o conceito de antifrágil recomendamos este podcast. Mesmo assim, não sei se você observou, mas muitos dos artigos publicados ao longo do mês de março reforçaram o conceito de cisne negro criado por Taleb, embora o próprio Taleb tenha feito uma declaração de que a atual crise não é um evento de cisne negro como foi por exemplo o caso do 11 de Setembro. Para Taleb não há desculpas de que esta crise que estamos passando poderia ter sido prevista e ele explica um pouco mais neste vídeo aqui.

Muitas empresas se manifestarem, a começar pela Sequoia que no dia 5 de março publicou orientações para fundadores e CEOs em seu artigo
Coronavirus: O cisne negro de 2020. Na mesma semana estávamos partindo para o SaaStr (maior conferência de software B2B do mundo) e já de malas prontas para embarcar recebemos a notícia de que o evento havia sido cancelado. Pouco depois, no dia 12 de março a OMS – Organização Mundial da Saúde decretou estado de pandemia do novo coronavírus. Muitas empresas desde então vem sofrendo grandes impactos causados por conta das medidas tomadas pelo isolamento social como por exemplo o AirBnB que viu suas reservas caírem 95% na Ásia, 75% na Europa e 50% nos EUA e pretendiam abrir capital este ano.

Com certeza não foi só o plano do AirBnB que mudou, todo mundo precisou recorrer à um novo plano, mas que plano? Sem dúvidas este tipo de plano B ninguém estava esperando. A Endeavor organizou um portal vivo, onde publica benchmarks em tempo real com planos de ação para scale-ups, mentorias online, boas práticas na gestão de trabalho remoto e um raio-X da situação global a partir da experiência que possui nos 30 países em que atua. Eles inclusive publicaram um boletim sobre geração de caixa onde compartilharam O que os CFOs das Scale-Ups estão dizendo e nele apresentaram o financiamento para empresas de receita previsível da a55 – você pode conferir o boletim da Endeavor aqui.

Steve Blank, que costumamos chamar de o mestre das empresas SaaS também contribuiu com um artigo intitulado A estratégia de sobrevivência ao vírus para sua Start Up. Em seu artigo Blank pontua “Espero estar muito enganado, mas o impacto social e econômico desse vírus provavelmente será profundo e mudará a forma como compramos, viajamos e trabalhamos por anos.” E, para as empresas que tem menos de 24 meses de liquidez ele apresenta 8 dicas de que ações tomar em seu artigo intitulado Ações hoje para os CFOs. A Atlantico, venture capital focada na América Latina, levantou informações com 350 CEOs de startups e empresas de tecnologia. Nesta apresentação você encontra dados de quais foram os impactos que estas empresas sofreram. Nela, 30% das empresas respondem que devem perder entre 20-50% de sua receita, 21% que deve perder entre 10-20% e outros 12% estimam perder 50-70% de sua receita anual.

Muitas empresas passaram a adotar o modelo home office, e do outro lado muitas organizaram conteúdos para atuar neste momento. Separamos alguns deles abaixo:

Do nosso lado, a gente conversou com alguns clientes e parceiros para levantar as principais dores e os desafios que eles tiveram que tomar. E, dos principais desafios levantados vimos:

  • Queda de receita e cancelamentos de assinaturas, são raríssimas excessões que se beneficiaram no momento, mesmo o segmento de assinaturas não sendo normalmente diretamente afetado pela crise, mas sim seus clientes. Na maioria dos casos vemos estimativas entre 20-40% de decréscimo do faturamento.
  • Corte de custos e da folha, a fim de se adequar para um cenário de menor crescimento, algumas empresas cortando 40% de sua folha recentemente.
  • Priorização do caixa da companhia e busca por liquidez. Nas últimas semanas quadruplicamos o número de pedidos por novas linhas de crédito por exemplo e inclusive diversas empresas extremamente capitalizadas nos pediram novas linhas.
  • Dificuldades de captar recursos. Muitos dos pedidos de novas linhas sendo por empresas que receberam uma captação de recursos no curto prazo que foi cancelado, sendo estas tanto de bancos comerciais, quanto por exemplo de fundos de investimento.

A seguir, compartilhamos alguns dos desafios enfrentados por  Santiago Edo – CEO da Reviewer que conta com um modelo de negócios recorrente. Ele compartilha conosco as ações que tomou depois das trocas que recebeu do conselho de sua empresa e da endeavor. Compartilhamos aqui abaixo:

Qual o seu maior desafio no atual momento?

  • Manter os contratos e receber dos clientes.
  • Retenção é a palavra de ordem na empresa e preservar o caixa é nosso principal objetivo.

Quais foram as dicas mais valiosas que você recebeu?

  • Desenhar o pior cenário possível e trabalhar à partir desse cenário.
  • Não dourar a pílula e não ser suave nas projeções.
  • É preciso ser frio e calculista neste momento e pensar acima de tudo no caixa.
  • Ajustar se necessário e de uma vez só, sangrar rápido.
  • Ter um plano claro de recuperação e apresentar o plano para o time que foi preservado, para engajar todos na missão de recuperar a empresa.
  • Entender que uma crise sistêmica como esta tem duas fases: A primeira fase é a Guerra, que dura pouco mas é necessário agir rápido para se preparar para a fase: o Pós-Guerra, onde apenas os que estão mais preparados e fizeram a lição de casa durante a guerra, vão conseguir sair mais fortes e recuperar mais rápido o tempo perdido.

Quais medidas você está tomando para manter a empresa em pé?

  • Cortar custos fixos em 40% para redução do Burn.
  • Demitimos 7 pessoas (excelentes funcionários, diga-se de passagem, foi um dos piores dias da minha vida).
  • Cortamos salários dos que ficaram e VR.
  • Entregamos a casa onde ficava a nossa sede para cortar aluguel e custos operacionais relativos à casa (agora todos operamos em home-office).
  • Corte de 30% em custos administrativos.
  • Renegociação de dívidas.
  • Renegociação de fornecedores.
  • Pedido de crédito para AWS.
  • Captação de recursos com sócios para manter a empresa por pelo menos 6 meses.
  • Análise de captação de recursos com BRDE / FUNDO GARANTIDOR ACATE.
  • Criamos um plano de recuperação que envolve mudanças no produto e vamos adiantar a colocação do dpto comercial à partir de São Paulo (projeto que era para o Q4, vamos trazer para Q2).

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