Como a estrutura de custos influencia a escalabilidade do seu negócio

Andre Wetter

Andre Wetter

Co-Founder da a55

Escalabilidade

 

Escalabilidade é uma das principais características das organizações exponenciais e um tema muito debatido atualmente. No entanto, é muito comum que o entusiasmo com o assunto supere o entendimento correto sobre o seu significado.

Afinal, não é possível compreender crescimento e escala de negócio, como coisas distintas que são, sem antes levarmos em conta a sua relação com a estrutura de custo de uma empresa.

O objetivo deste post é mostrar a importância de administrar bem a estrutura de custos e despesas das empresas para garantir um crescimento perene de longo prazo. Tornar as despesas e os custos de um empreendimento mais eficientes é essencial para ter escalabilidade e atingir o sucesso. Veja!

Crescimento e escala são sinônimos?

Não, crescimento e escala não são sinônimos. Para compreender melhor a influência da estrutura de custos e despesas de uma empresa é preciso entender que existe uma distinção importante entre essas duas palavras, que revelam qual o tipo de crescimento você deve procurar em sua operação.

Quando uma empresa cresce — ou seja, conquista mais clientes, amplia a sua participação no mercado e aumenta o seu faturamento —, ela atinge esses resultados com um aumento quase diretamente proporcional aos seus gastos. Ou seja, para faturar mais foi preciso também investir mais recursos em força de vendas, produção, administrativo, fazendo com que a empresa sempre aumente o seu lucro e sua margem no processo.

Escala, por sua vez, tem uma relação mais vantajosa para a empresa, pois mesmo auferindo aumento no faturamento, os gastos de produção se mantêm sob controle, permitindo uma expansão mais sustentável. Assim, a empresa eleva os seus ganhos de forma rentável, trazendo valor para a empresa e para os acionistas.

Atualmente, os exemplos mais evidentes de escala são as empresas e startups que contam com as características das organizações exponenciais, das quais muitas são, inclusive, empresas SaaS.

O custo de desenvolvimento do produto é apenas um dos custos incorridos em uma produção, por isso é preciso ampliar o conhecimento sobre como a estrutura de custos e despesas como um todo interfere na escalabilidade de um negócio.

O que é estrutura de custo e despesa e qual a relação com a escalabilidade de sua empresa?

De maneira geral, a estrutura de custos e despesas representa o conjunto dos gastos fixos e variáveis que compõem a gestão financeira da empresa. Esses podem ser classificados em grupos de acordo com suas finalidades, como custos de prestação de serviços, despesas administrativas e gastos em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.

Os gastos fixos são custos ou despesas que incorrem todos os meses, independentemente da quantidade de produto vendido ou serviço prestado. Um exemplo é a despesa de aluguel de um escritório ou o custo de servidores para manter um software funcionando.

Já os gastos variáveis são custos de viagem para implementação de um produto ou serviço ou despesas com comissão de vendas, por exemplo — gastos que só ocorrem quando há uma nova venda ou receita.

E para finalizar, a diferença entre custos e despesas é que os custos são os gastos que estão diretamente relacionados à venda de um produto ou prestação de um serviço; já as despesas são todos os outros gastos necessários para manter a operação de uma empresa rodando e que não estão diretamente relacionados à geração de receita.

A vantagem de entender e aplicar o conceito de custo e despesa, principalmente para as empresas com receita previsível, é a versatilidade do seu uso como ferramenta para diferentes estratégias, como na definição de preços em determinada campanha e na adoção de políticas de redução de custos que não afetam a receita.

Quais são os principais segmentos de custos e despesas nas empresas?

A seguir, confira quatro dos principais segmentos de custos e despesas que revelam em que área a sua empresa está gastando os recursos que conquista.

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COGS — Custo dos Produtos Vendidos (CPV) ou Custo do Serviço Prestado (CSP)

Trata-se de um conceito contábil que representa os custos diretos relacionados à produção de produtos ou à prestação de serviços da operação. Esses custos são inevitáveis, uma vez que a entidade precisa deles para gerar o seu faturamento.

São gastos que precisam ser efetuados para que, por exemplo, o software seja entregue e se mantenha em funcionamento — como hospedagem, licenças e suporte ao cliente. A vantagem das empresas com receita previsível sobre os modelos tradicionais de outros nichos é que esses custos são relativamente baixos, o que facilita o seu crescimento em escala.

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R&D — Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)

Gastos com P&D estão diretamente relacionados à evolução e aprimoramento do produto ou serviço. Empresas em estágios iniciais costumam investir boa parte do seu orçamento nesse quesito. Após esse período, tal gasto continua relevante, pois o setor de tecnologia é marcado pela inovação e velocidade.

Sendo assim, é extremamente importante manter os produtos e serviços ofertados alinhados com as principais demandas dos clientes, para que a empresa permaneça competitiva e em crescimento.

Muitas empresas consideram P&D como uma despesa da empresa, porém esse gasto também pode ser considerado um investimento e, na Contabilidade, classificado como Ativo Intangível.

O principal benefício de considerar o gasto uma despesa é a simplicidade, dado que normalmente esse gasto é composto por salários, mas, em contrapartida, há uma redução do lucro líquido da empresa no período. Já o benefício de considerar o gasto como um Ativo Intangível é que a empresa terá um lucro líquido maior e poderá mostrar contabilmente o volume investido no seu produto.

Como o investimento em P&D normalmente é de longo prazo, considerar o gasto como Ativo Intangível normaliza o seu impacto na gestão financeira da empresa.

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S&M — Vendas e Marketing (V&M)

São os gastos necessários para potencializar a geração de fluxo de caixa a partir da aquisição de novos clientes. As atividades voltadas a essa área são variadas e englobam, além da aquisição, a retenção de clientes e gastos para ativação da marca da sua empresa.

Alguns gastos comuns são salários da equipe de marketing e vendas, despesas de viagens e eventos, patrocínios, entre outros.

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G&A — Gerais e Administrativas

São as atividades de backstage que mantêm a empresa em operação. Aqui, estamos falando de despesas fixas e variáveis como o aluguel do escritório e o pagamento de funcionários do time administrativo.

Startups em estágios iniciais costumam ter essas despesas mais baixas, dado que elas são comparativamente menos relevantes em sua primeira etapa de crescimento. Porém, conforme o seu processo de expansão permanece, essas despesas tendem a aumentar e devem ser um dos pontos de atenção na gestão financeira diária para garantir escalabilidade sustentável e eficiente da sua empresa.

Como melhorar a escalabilidade da sua estrutura de gastos?

Buscando melhorar a estrutura de gastos, muitas empresas partem diretamente para a ação sem antes avaliar quais os grupos de custos e despesas podem se tornar estratégicos para a operação.

Agindo assim, os resultados obtidos não se sustentam em longo prazo ou são irrelevantes. É preciso ter claro que a escalabilidade de um negócio não pode ficar em segundo plano, mas deve ser algo que faz parte da estrutura da empresa.

Por isso, é mais inteligente pensar em escala já na concepção do negócio, do novo produto ou serviço. Reduzir custos ou projetar produtos tendo como alvo a replicabilidade também é uma boa prática a ser adotada.

Como melhorar o modelo de negócios da sua estrutura de custos?

A revisão e o acompanhamento constante das métricas de desempenho, dos indicadores de performance e dos feedbacks recebidos de clientes são fundamentais para estabelecer um padrão de melhora contínua no modelo de negócios da estrutura de custos da empresa. É por meio dessas métricas que serão definidos quais os setores da companhia que necessitam de intervenção, melhorias ou ajustes.

Também é com auxílio dos indicadores que será possível avaliar a efetividade das ações adotadas, sendo então possível determinar se uma ação surtiu ou não o efeito desejado.

O aumento do faturamento e a estabilidade em longo prazo são objetivos primordiais para todas as empresas com receita previsível. Para manter o crescimento, é importante que os gestores atentem em equilibrar a estrutura de custos a um modelo de negócio que potencialize os resultados pretendidos.

Alguns exemplos de métricas essenciais para a tomada de decisões são:

  • custo de aquisição de clientes (CAC);
  • valor do contrato anual (ACV);
  • valor da vida útil do cliente (LTV);
  • receita recorrente mensal e anual; e outros.

Como avaliar sua estrutura de custos para escalar seu negócio?

Como podemos observar, as empresas que conseguem atingir o sucesso são aquelas focadas em estudar os seus indicadores e a sua influência no negócio. As métricas de desempenho podem ser usadas para diferentes finalidades, como para mecanismos de precificação, planejamento financeiro e a obtenção de insights importantes para o crescimento da empresa, como o ajuste da sua estrutura de custos.

Por fim, é importante destacar que a busca por investidores e financiadores (caso seja do interesse dos fundadores) também é facilitada quando se tem métricas de avaliação e custos bem geridas e organizadas.

E então, já consegue compreender como a estrutura de custo impacta diretamente a escalabilidade de uma empresa, principalmente aquelas baseadas em modelos de negócios previsíveis? Aproveite para compartilhar este artigo em suas redes sociais e contribuir para a disseminação dessas informações.