Quais são as alternativas para compor a estrutura de capital de uma empresa com receita recorrente ou previsível?

Stefano Frontini

Stefano Frontini

CFO da a55

Crescimento Exponencial

Você sabe o que é o financiamento para empresas de receitas recorrentes? Como já sabemos, vamos agora entender as diversas formas de uma empresa captar recursos para compor sua estrutura de capital da melhor forma possível, um desafio da maioria dos empresários brasileiros.

Alguns, inclusive, conhecem essas opções, mas têm certas dificuldades e, até mesmo, falta de certeza de como agir com elas. Entretanto, é simples, existem duas opções de captação de recursos para compor a estrutura de capital para sua empresa e que, se balanceados de maneira correta e saudável, podem facilitar muito na gestão financeira e na contínua captação de novos recursos quando necessária.

Neste artigo, discorreremos um pouco mais sobre essas opções e como você pode ter acesso a elas. Acompanhe!

O que é e como funciona a estrutura de capital?

A estrutura de capital pode ser dividida em duas partes. A primeira, é o capital próprio oriundo do investimento dos sócios (o capital social), também obtido por meio de venda de ações de sua empresa (termo em inglês – Equity) ou abertura de capital na bolsa (termo em inglês – IPO, Initial Public Offer) também mediante a venda de ações da empresa, neste caso, com uma oferta pública de ações na bolsa de valores.

A segunda, é o capital de crescimento não dilutivo, que pode ser entendido como dívidas contraídas com bancos ou demais instituições financeiras que oferecem esse tipo de produto para as empresas se alavancarem e investirem em crescimento de suas operações, capital de giro ou até mesmo utilizar os recursos para outras finalidades como pré-pagamento ou rolagem de outras dívidas existentes. A estrutura de capital pode ser encontrada no próprio Balanço patrimonial da empresa, com a somatória do capital social e do passivo não-circulante.

Neste sentido, em ambos os casos, para estruturar o capital de uma empresa seja pela venda de ações ou através de financiamentos, faz-se necessário entender muito bem como se relacionar com investidores e as características destas soluções, além de equilibrar muito bem a fração de captação ações/dívida para manter a estrutura de capital mais eficiente e saudável possível.

Existem investidores de Equity (ações) e de dívida, aos quais cada um deles exigem certo grau de comprometimento e exigências. O investidor de Equity, por se tornar sócio da empresa, normalmente se envolve no dia a dia da mesma seja através da participação em reuniões de conselho, através de consultorias, pitacos em reuniões de gestão ou envolvimento na cobrança de métricas e resultados relacionados a performance da empresa, em outras palavras se envolve bastante o que limita a flexibilidade do empreendedor/gestor.

Já o investidor de dívida atua com menos ingerência. As empresas provedoras de soluções de crédito como é o nosso caso da a55, fintech de crédito para empresas de receita previsível – principalmente empresas de tecnologia e empresas com receita recorrente, disponibiliza em sua plataforma o produto de dívida que para sua aprovação, exige uma rápida análise de crédito e envio de documentação digital para seguir com a operação. Abaixo, mostraremos alternativas para compor uma estrutura de capital.

Capital próprio

Como mencionado anteriormente, o capital próprio que compõe parte da estrutura de capital é levantado pela própria empresa por meio da venda de ações ou composição do capital social, porém esta alternativa é mais cara, demorada e limita o empreendedor. Vejamos alguns exemplos abaixo de captação via capital próprio como os modelos de capital anjo, seed investment e venture capital:

Capital anjo

O Capital Anjo é um recurso proveniente de investimentos de pessoas físicas que ingressam na empresa através da compra de ações quando ela ainda está no papel ou em fase de estruturação de suas operações em seus primeiros meses de vida. Ou seja, quando o investidor, acredita que sua ideia é boa e consistente e o seu negócio terá grandes chances de crescer. Mesmo assim, este investidor pode investir no negócio sem ter que figurar como sócio ou acionista da empresa de imediato. Pode inicialmente investir através de um contrato mútuo de dívida conversível em ações para evitar custos com advogados e uma série de papelada que seria necessária para tornar-se um investidor ou sócio quando o negócio ainda está se provando. Mediante seu sucesso, justificaria a conversão do mútuo em ações da empresa. Para compor este capital, os investimentos em capital anjo variam entre R$50 mil e R$500 mil.

Seed Investment

Esse tipo de investimento é parecido com o investidor anjo. O que muda nessa modalidade é o fluxo de capital recebido pela empresa que é de R$ 500 mil à R$ 2 milhões e maioria da vezes proveniente de investidores institucionais. Além disso, as empresas que procuram por esse tipo de estruturação de capital já têm seu modelo de negócio provado, clientes e produtos já definidos, entretanto, ainda dependem de investimentos para se expandirem em seu mercado. Neste caso já faz sentido investir em advogados e documentação mais rígida para tornar o investidor seed já sócio pois sua presença na estrutura societária da empresa traz relevância e credibilidade ao mercado facilitando assim na captação de novos recursos seja via Equity ou financiamentos.

As “Séries” de Venture Capital

O Venture Capital é um termo em inglês que significa capital de risco e é comumente chamado por VC. Trata-se de uma forma de arrecadar recursos mediante a venda de ações para fundos de VC que, geralmente, aportam valores maiores e em contrapartida exigem maiores retornos da empresa investida e uma diretriz bem definida de produto e caminho a se seguir. Geralmente os fundos de Venture Capital brasileiros investem de R$ 2 milhões à R$ 10 milhões e as empresas investidas já provaram seu modelo de negócio e contam com faturamentos consideráveis na casa dos milhões ao ano. Tais investimento são geralmente chamados de “séries”, sendo por exemplo a série A a primeira rodada após a rodada seed, e a série B a segunda rodada.

Em ambos os casos é importante saber que o custo de capital próprio é alto, mais alto que do capital de terceiros. Para obter R$1 milhão de recursos através da venda de ações de sua empresa pode comprometer 5, 10, 20 ou até mais % de participação de sua empresa que uma vez investidos estes recursos podem fazer sua empresa valer muito mais. Portanto, tome cuidado, o custo de capital para obter R$1 milhão pode custar muito.

Exemplo: Hoje você precisa destes R$1 milhão e está disposto a vender 10% de sua empresa por estes recursos, ou seja, sua empresa vale R$10 milhões. Porém uma vez investindo esses R$1 milhão em sua empresa, ela poderá valer R$20 milhões. Neste caso, você poderá captar recursos novamente vendendo ações em participação de sua empresa em um momento em que ela vale muito mais, então equilibre muito bem sua fontes de captação para compor sua estrutura de capital.

E o capital de crescimento não dilutivo, o que é?

Encontrar investidores que querem se tornar sócios, participar do dia-dia da empresa, opinar e se envolver nem sempre é fácil pois demanda-se um grande tempo para explicar os detalhes, além de ter de fazer uma Due Dilligence relevante para comprovar os resultados e documentos societários de sua empresa.

Sendo assim, uma excelente saída para que sua empresa possa obter capital rápido, mais barato e pouco burocrático, é procurar crédito via empréstimos e financiamentos, o capital de crescimento não dilutivo, principalmente, aqueles voltados para empreendimentos que têm receita recorrente ou previsível. Neste tópico, mostraremos algumas alternativas para esta captação de recursos. Continue lendo!

Dívida pública

Uma das formas muito buscadas de empréstimo e financiamento é aquela fornecida por bancos e instituições públicas, tais como o Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES) ou Desenvolve São Paulo que são subsidiadas pelo governo e consequentemente oferecem taxas de juros mais baixas e atrativas.

Geralmente, esse tipo de crédito fornece ao empresário um bom tempo para pagar sua dívida, porém podem exigir certas garantias físicas ou até mesmo o aval dos sócios administradores. A dificuldade, portanto, fica por conta do acesso a esse tipo de crédito, tempo de aprovação, garantia exigida e limite de crédito restrito, na maioria das vezes aprovam um volume financeiro insuficiente para alavancar sua empresa que já apresenta suficiente receita recorrente ou previsível.

Conta Garantida

A conta garantida é um tipo de crédito rápido e com taxas mais atrativas. Geralmente, as instituições financeiras que oferecem esse tipo de empréstimo são aquelas que estão mais ligadas à tecnologia e às ferramentas que facilitam a vida de empresários e gestores no Brasil.

Esse tipo de empréstimo consiste em um crédito que já é pré-aprovado e que serve para atender às demandas emergenciais de uma empresa, tais como: manutenção de fluxo de caixa, pagamento de contas, garantia de duplicatas, cheques, entre outros. Além das taxas de juros mais atrativas, esse tipo de crédito tem a vantagem de poder ser sacado e amortizado quando o empresário decidir.

Os juros incidentes sobre a operação recaem somente sobre o saldo devedor e no prazo da sua existência. Outra característica marcante da conta garantida é o fato de que uma vez aprovada, o empresário poder utilizar o valor a qualquer tempo, sem ter que correr atrás de apresentar documentos, comprovações e demais burocracias.

Algumas instituições financeiras oferecem a possibilidade de o gestor fazer a contratação desse crédito pré-aprovado no próprio site da empresa, sem que ele tenha que sair da sua sede para ir até o banco.

Para abrir uma conta garantida, obviamente, existirão algumas exigências que podem ser diferentes de um banco para o outro. Sendo assim, além dos títulos, podem ser exigidos documentos de comprovação da capacidade financeira por meio de indicadores, documentos que comprovam sua constituição e atualização perante os órgãos de registros, regularidade fiscal e trabalhista, entre outros.

Factoring

O Factoring, também conhecido como fomento mercantil, é um procedimento em que a empresa vende os seus direitos creditórios a prazo e recebe o montante dos títulos à vista. Assim, a cedente fica responsável por receber o título do seu cliente e, para isso, ela cobra uma determinada taxa de desconto que pode variar de acordo com o prazo de pagamento e valor. Ela é voltada, especialmente, para pequenas e médias empresas e possibilita a empresa uma liquidez imediata de títulos que venceriam em prazos maiores.

Dívidas de bancos tradicionais

Os bancos tradicionais oferecem financiamentos que exigem garantias reais, avais e um processo cheio de papel e tempo além de não serem muito claros na real taxa de juros que o tomador adquire. Ainda sofrem com inovação e não atendem perfeitamente as necessidades do empreendedor atual com produtos pouco flexíveis, pouco práticos e pouco digitais, além de pouca proximidade com a jornada do cliente.

Empréstimos Online

São obtidos por meio de empréstimos e financiamentos fornecidos como por exemplo por fintechs. Suas vantagens ficam por conta da agilidade e simplicidade, tendo em vista que são entidades inovadoras, oferecem um produto com análise de crédito mais rápida e menor exigência na composição de garantia. Ao invés de por exemplo solicitar um imóvel, a a55 conta com a receita recorrente como garantia de fluxo. Por isso é muito importante conhecer muito bem as soluções alternativas que possibilitarão a captação de recursos via dívida para compor sua estrutura de capital sabendo que além da venda de ações a dívida é uma ótima solução, para mais detalhes veja nosso artigo sobre linhas de financiamento MRR.

Por fim, podemos concluir que a constituição do capital de uma empresa pode ter várias alternativas, entretanto, apostar no capital próprio apenas pode ser arriscado, limitante e custa muito mais caro, tendo em vista que deverá relacionar-se com outras pessoas que também terão poder de decisão na empresa. A dívida, entretanto, é mais rápida e prática e o empreendedor terá total controle sobre a utilização do dinheiro que foi levantado. Para tanto, convidamos você a entrar em contato conosco e conhecer nossa solução!